Paula e Alex – Yoga para uma rotina desafiadora

O terceiro episódio da série ‘Conversa com um Yogi’, na verdade são com os Yogis! Conversamos com Paula e Alex, um casal inspirador que compartilhou sua rotina de piloto de avião e advogada da área criminal, e como o yoga os uniu e se encaixa em suas vidas. Veja como incluir yoga e meditação em uma rotina de trabalho desafiadora, e como poder ver o melhor das pessoas com o yoga, como um caminho para a transformação individual e social.

Alessandro: Olá, aqui é o Alessandro da Yogateria para um outro episódio de ‘Conversa com um Yogi’, e hoje temos dois: A Paula e Alex.

Bem-vindos.

Paula: Obrigada!

Alessandro: Eu sei que todos os dois praticam meditação e yoga. Alex, eu sei que você é piloto de avião e você é advogada.

Não conheço tudo no primeiro momento. Vou conhecendo na ‘Conversa com um Yogi’.

Mas você também é instrutora da Arte de Viver, você pratica meditação e respiração, e  ensina para as pessoas, como ser feliz!

Vocês são felizes?

Alex: Claro! Graças a Deus.

Alessandro: E você? Com esse sorriso, você é feliz, não?

Paula: Bastante.

Alessandro: Bastante não é a resposta certa.

Paula: A gente busca né? Com todas estas técnicas, ajuda a gente a encontrar esta tal felicidade.

Alessandro: Então Yoga é uma busca pela felicidade?

Paula: Isso. É um caminho né?

Alessandro: Um caminho em direção à busca de felicidade.

E como se encaixa na rotina de trabalho ? Você viaja todo dia, para outros lugares do mundo do planeta. Como você encaixa a meditação, a introspecção diária, na sua rotina, Alex?

Alex: Na minha rotina eu consigo aliar quando estou fora,  eu tenho os meus pernoites e aí eu consigo nos tempos de pernoite em cidades fora do Rio de Janeiro, ter um momento em que eu consigo botar em prática as atividades e exercícios. Quando estou em casa, se estou de folga e ela tem uma aula (de yoga) para dar eu consigo participar também, né?

Paula: Ele se infiltra.

Alex: Eu me infiltro.

Alessandro: Que bom! Então você o inspira? Você o trouxe, não?

Paula: É, porque eu dou aula (de yoga) em casa, né? Então, se ele está no quarto, é só ele vir para a sala.

Alessandro: E você? Como é o seu trabalho de advogada, como fica?

Paula: Eu trabalho na promotoria, sou advogada e trabalho na área criminal. O yoga veio para mim como uma busca da realização de um propósito, porque ao contrário dele, que ama voar,

que sente uma sensação de liberdade voando e levando pessoas para lá e para cá, realizando sonhos. O meu trabalho é ajustar a lei à pessoa que cometeu um crime, e ver o lado pior das pessoas e quando eu decidi buscar o yoga como uma parte da minha vida tudo começou a fazer sentido.

Porque vendo as pessoas na minha casa, elas chegando muitas das vezes mal, e depois de uma prática de yoga elas saindo de lá falando: Nossa estou saindo muito melhor do que eu cheguei! É algo  que começou a me preencher.

Perceber que na verdade eu não estou fazendo nada, que eu sou um mero instrumento para as pessoas se conectarem com elas mesmas. Isso começou a transformar minha vida e tudo começou a fazer muito mais sentido.

Alessandro: Ficar com essa sensação de preenchimento real, não o preenchimento por ter ganho algum dinheiro, ou porque viajou para alguns lugares, mas o preenchimento espiritual é importante na vida, não? É uma forma de ajudar os outros.

Paula: Exatamente. É a oportunidade de ver o lado melhor das pessoas.

Alessandro: Wow! Que lindo. E o que mais? Já viajaram pra Índia? Vocês são casados né?

Alex: Somos. Sim. Nós Casamos recentemente. Estamos juntos há mais de cinco anos, desde 2013. Mas moramos junto há um ano e nos casamos em setembro do ano passado.

Alessandro: Também é bom estar em dupla, quando é um casal, que os dois pratiquem, pois um eleva o outro, cada um dá um hábito bom para o outro, todo mundo se eleva. Não é assim?

Alex: Com certeza. Um ajudando o outro.

Alessandro: Vocês já foram na Índia?

Paula: Eu acabei de chegar.

Alessandro: Chegou agora? Para onde você foi?

Paula:  Fui para o Centro Internacional da Arte de Viver, que foi onde nos conhecemos inclusive. Não na Índia, aqui no Brasil. Eu fui para um festival que teve lá, Shivaratri.

Alessandro: O que é o Shivaratri?

Paula: Te encontrei lá inclusive, né? Eu fui ao seu casamento. Incrível, inclusive!

Alessandro: Shivaratri tem muita gente, todo mundo feliz. Yoga vai além da posição de yoga, da postura. Usamos nosso tapete para fazer as posturas, mas além do tapete, tem um mundo tão vasto, não?

Paula: Com certeza.

Alessandro: Espiritual e tão grande. O que você acha?

Paula: Muitas vezes eu costumo até dizer que no yoga, a gente não trata de religião, a gente trata da espiritualidade, desse contato com Divino. Perceber que nós somos parte disso. Tudo se encaixa quando a gente consegue se encontrar com o nosso Ser, com a nossa própria essência, e o yoga é um caminho que a gente faz para se encontrar com essa energia.

 

Como na Índia a gente consegue, lá tudo tem outra dimensão, né? Shivaratri, energia de Shiva, aquelas pessoas todos unidas vibrando, cantando, tudo acontece mais rápido. Mas aqui, poder transmitir essas experiências para as pessoas, inspirá-las, é muito gratificante.

Alessandro: Seria bom também, como prevenção, né? Imagina se todos meditassem, o seu trabalho nem ia acontecer. O trabalho com crime, bandidos, roubos, homicídios e tudo isso. Não seria possível uma pessoa feliz, preenchida, matar, roubar ou fazer essas coisas chatas. O que você acha? É como uma prevenção também.

Paula: A Arte de Viver inclusive tem um programa social que é o Prison SMART, que leva as técnicas de respiração e meditação. Nós fazemos amplamente para o público geral, para as pessoas que estão presas.

Eu costumo até dizer, as pessoas cometem crime, a gente vive numa sociedade, existe uma legislação, que deve ser aplicada, sim. Mas quando a gente encarcera essas pessoas, a gente não dá a menor possibilidade para elas realmente se estabilizarem novamente, como seres humanas que são, né?

A Arte de Viver faz um trabalho incrível, que eu já ajudei em algumas oportunidades. Você está de frente para um ser humano, pouco me importa o que ele fez. O dever é fazer com que ele saia de lá melhor do que como ele entrou ,e muitas vezes, o que acontece, que sabemos por estatísticas, é que ele sai pior.

Alessandro: Temos que trabalhar para saírem melhor, deixar as pessoas melhores. E Alex, no seu trabalho, viajando por todos os lugares, algumas vezes com fuso horário diferente, seria bom também trazer essa prática mais estruturada nas empresas de aviação e nas grandes corporações, ter um programa específico de meditação e yoga.

Alex: É uma ideia excelente, quando eu entrei na empresa, eu dava instrução de voo, e aí peguei a experiência de horas de voo, os requisitos. Entrei na empresa há um ano e quando eu entrei, é uma linha aérea, uma empresa grande, e no primeiro dia a gente é recebido em um auditório enorme. Quando comecei o treinamento, fui vendo o tamanho e proporção da empresa. Aí eu comentei com ela: um dia, eu penso em dar instrução também, na Arte de Viver, um dia. E disse para ela: Imagina amor, nós dois instrutores, a gente implementando a meditação e yoga aqui em um ambiente corporativo desse tamanho, sabe?

Porque ao mesmo tempo que é um trabalho muito bacana, principalmente para quem ama como eu, mas é um trabalho que é muito cansativo também, desgastante, você fica longe da família, fica dias longe. Trabalho de madrugada, mexe com fuso horário, responsabilidade. Então, implementar isso em um ambiente desse, seria um sucesso tremendo.

Alessandro: Paula, eu ouvi bem?

Mas ele falou que queria ser instrutor, não? Tá vendo? Foi uma declaração.

Estamos gravando.

Paula:  É bom que está gravado.

Alessandro: Então, vocês sabem da Yogateria, este projeto de trazer não apenas o acessório para as pessoas, mas a experiência. Achamos que o tapetinho é um templo, onde a pessoa se conecta com ela mesma. Este é o meu lugar, eu me conecto. Eu olho para dentro. Não é só uma almofada ou tapetinho, mas um templo que estamos dando para as pessoas. Você já olhou os nossos produtos?

Paula: São incríveis, inclusive estava conversando lá fora com o pessoal, todos os tapetes que eu tenho, alguém teve que trazer de fora para mim, por que os produtos do Brasil são de péssima qualidade, eu nunca consegui me identificar com um produto. Falo isso não porque eu conheço vocês, mas porque realmente eu não indicaria. Uma coisa que me incomoda, porque a prática que eu ensino Rocket Vinyasa, a gente sua bastante, e é uma reclamação recorrente das minhas alunas que compraram os tapetes aqui, que escorrega, e muitas vezes paramos a aula pra secar e só de ver  que os produtos são bem semelhantes dos que eu possuo né, de algumas marcas lá de fora. Hoje teremos esse privilégio, não precisar mais viajar ou pedir para alguém trazer para a gente.

Alessandro: Importamos estes produtos, que já são vendidos na Europa, já testados, e vendidos em mais de trinta países. Começamos a vender nos Estados Unidos e no Brasil. Estamos espalhando esta marca Bodhi e da Yogateria. Realmente achamos que são bons produtos.

Alessandro: Foi bom, gostei. Foi assim corrido, não organizamos nada. Toparam de fazer a entrevista comigo. Vieram aqui visitar a gente e pegamos eles para fazer esta entrevista.

Acho que ficou ótimo, inspirador.

Na parte criminal, que tem um outro mundo que acontece, ruim. A gente está no mundo bom, e fica bem, mas sabemos também que tem um outro mundo acontecendo coisas que a gente nem sabe, mas quem trabalha com isso sabe o tamanho e queremos botar um pouco do bom, dentro do ruim.

Tirar o ruim, e esperamos que um dia acabe.

Paula: O yoga é um caminho para isso. É um trabalho de formiguinha. A gente que é do bem, faz pouco barulho. A gente tem que começar a fazer mais barulho e dominar o mundo.

Alessandro: A voz da paz tem que ser clara e forte.

Paula: Exatamente. Isso.

Todos: Namaste.