Saúde da mente e a pandemia do COVID-19

Quando falamos em saúde a primeira coisa que vem a mente é a saúde física, o cuidado com nosso corpo e até com a alimentação. Mas será que é só isso? Quando falamos saúde precisamos pensar de maneira integral, ou seja, além do corpo, precisamos lembrar da nossa mente para ter um bem-estar completo. Como diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), “só é possível ter saúde quando há completo bem-estar físico, mental e social.” Este bem-estar acontece quando investimos nos cuidados necessários, como praticar exercício físico, meditar e, principalmente, buscar autoconhecimento para cuidar das nossa emoções e sentimentos. Além de cultivar nossas relações sociais com família, amigos e colegas. Mas o que fazer quando um tsunami chamado COVID-19 nos atinge de surpresa e muda completamente nossa maneira de viver e de nos relacionar?

Esse ano não foi fácil para ninguém, com o isolamento social, somado ao desconhecido vírus, os níveis de ansiedade, estresse e depressão dispararam. Se antes da pandemia o número de pessoas que lidava com problemas relacionados à saúde da mente era alto – o Brasil é o campeão mundial em casos de ansiedade e, na américa latina, o primeiro em casos de depressão -, imagina agora?

Medo, excesso de preocupação, alterações no humor, insônia e perda da libido são algumas das consequências do estresse gerado pela pandemia do coronavírus.  Segundo dados da pesquisa Saúde da Mente & Isolamento Social, realizada pelo Instituto Bem do Estar em parceria com a NOZ Pesquisa e Inteligência, o medo é para 71% das pessoas maior, sendo que 23% estão sentindo muito mais medo; 70% estão se sentindo excessivamente preocupadas, enquanto 43% dos entrevistados estão menos esperançosos. Em contrapartida, 29% estão com mais esperanças que no período anterior à pandemia. Mais da metade dos respondentes, 53%, afirmou ter mais alterações de humor durante o isolamento. Sobre as reações físicas, a insônia parece afetar os mais jovens: o percentual de entrevistados que afirmam estar com o problema é crescente nessa faixa etária, sendo 60% entre os que têm menos de 30 anos; 52% entre os com 31 e 50 anos; e 43% entre os com mais de 51 anos.

Muito tem se falado e estudado sobre saúde mental pós pandemia, com um aumento considerável de transtornos compulsivos obsessivos (TOC) e neuroses. Para diminuir o impacto da pandemia em nossa saúde da mente precisamos adotar alguns cuidados, se possíveis, diários como: praticar atenção plena, ou seja, trazer sua atenção para o presente e evitar praticar a multitarefa; incluir atividades que tragam prazer na rotina como ler, escutar música, pintar, que ajudam a relaxar a mente e a dissipar o estresse do dia-a-dia; e praticar atividade física – na pesquisa mencionada foi possível notar que enquanto 61% dos que reduziram a atividade física tem se sentido mais desanimado devido ao isolamento social, entre os que conseguiram aumentar muito a frequência esse número cai para 38%.

Uma atividade física que está ligada diretamente a saúde da mente é o Yoga, uma ótima alternativa para diminuir o estresse e ansiedade que, durante a pandemia, ganhou novos adeptos. Ao reduzir o estresse e a ansiedade, o Yoga parece modular os sistemas de resposta ao estresse. Isso, por sua vez, diminui a excitação fisiológica – por exemplo, reduzindo a frequência cardíaca, diminuindo a pressão sanguínea e facilitando a respiração. Há também evidências de que as práticas de yoga ajudam a aumentar a variabilidade da frequência cardíaca, um indicador da capacidade do corpo de responder ao estresse com mais flexibilidade. Por que não tentar? Lembre-se que você é corpo e mente.

Em um ano desafiador, como 2020 está sendo, queremos lembrar que é necessário pegar leve com você. Muitas coisas aconteceram e estão acontecendo que podem nos tirar do prumo muitas e muitas vezes. Por isso, seja gentil com você. Permita-se sentir a montanha-russa de emoções e tenha compaixão por você. Ah e aproveite o momento para aprender a olhar para si e praticar o autoconhecimento. Você só tem a ganhar com isso!

 

Sobre o Instituto Bem do Estar | Fundado em 2018 por Isabel Marçal e Milena Fanucchi, o Instituto Bem do Estar é um negócio social sem fins lucrativos voltado à promoção da saúde da mente. Com o propósito de desafiar as pessoas a mudar o próprio comportamento em relação à saúde da mente, a organização colabora com a prevenção de doenças psicológicas e contribui para uma sociedade mais consciente e saudável. Para tal, possui três frentes de atuação, que visam a transformação social necessária a uma sociedade que está em falência emocional.

www.bemdoestar.org

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